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Verde Água, Azul Mar

Verde Água, Azul Mar

#Entrevista2- Da Universidade para o Futuro - Advogado

Pedro Silva Pereira estuda Direito em Braga na Universidade do Minho. Está no último ano de curso - Mestrado.

     

   1) Como decidiste que Direito era o curso ideal para ti?

             "Desde que tenho consciência de mim enquanto pessoa que me lembro de sempre ter desejado cursar Direito. Nunca fui muito como os outros miúdos com sonhos megalómanos de querer ser a próxima estrela mundial de futebol ou querer ser astronauta. Não que não seja legitimo ter esses desejos. Nem com isto estou a dizer que a minha “escolha” tratasse de ser reflexo de uma maior precocidade e maturidade. Nada disso. Simplesmente sempre me revi no papel de “decisor”, de alguém com poder e influência sobre a vida da outra pessoa. Obviamente que a responder a esta pergunta há 15 anos atrás não daria exatamente esta resposta, mas, penso ser aquela que mais se adequa a realidade. Eu sempre fui fascinado com advogados e o seu papel, e, ainda que completamente influenciado pela versão que nos é dada pela televisão, cresci a desejar tornar-me num advogado."

 

   2) Quais as razões que te trouxeram até aqui no curso em questão? Pelo meu conhecimento, os primeiros anos de universidade são sempre (portuguesmente falando) "uma seca!" . O que te interessou e motivou até ao momento?

             "A maior dificuldade de qualquer curso universitário, penso eu, pela experiencia que tive no meu e que penso ser transversal a todos os cursos, é, sem dúvida, a motivação. E a falta de motivação pode ter, ou melhor dito, sofrer, muitas condicionantes. Podes desanimar porque achas que estás no curso errado, porque o conteúdo do mesmo não te entusiasma, porque os professores não te inspiram, porque não te adaptas, porque arranjas outras “prioridades”, e mais uns mil e muitos “porques”. Cada um tem de encontrar dentro de si uma espécie de “força interior” para conseguir alcançar os objetivos a que se propõe, sejam eles quais forem. A chamada dedicação está nisso, no processo de nos conseguirmos focar naquilo que realmente queremos. Se me perguntas o que me suscitou interesse ao longo do curso, posso-te dizer, sinceramente, que foi muita pouca coisa. Sempre encarei o tempo que me faltava como um obstáculo a ultrapassar para chegar a uma meta. Fazendo uma analogia, até podemos comparar um curso universitário a uma corrida de obstáculos: assim, cada ano que passa é como um obstáculo que ultrapassaste e que fica para trás, ficando o teu objetivo cada vez mais perto. Nesta óptica aquilo que me motivou e interessou, e que o continua a fazer, é a ambição de que o percurso que estou a fazer tem como finalidade um objetivo maior, maior que os anos que passaram, maior que os exames que fiz, maior que as cadeiras que tive e em que desanimava continuamente, maior que o próprio curso. Tens, na minha opinião, que traçar um objetivo a longo prazo, sendo este composto por um conjunto de objetivos a curto prazo e todos estes cumulativamente, uns a seguir aos outros, assim, por muito que um te desanime (passar a determinada cadeira, fazer determinado trabalho), vais buscar a força e a capacidade de superação ao facto de saber que o sucesso dos objetivos posteriores depende desse. Ou seja, é como subir escadas, por muito que custe o degrau que subas é com o objetivo de chegares a um patamar superior, e que não consegues lá chegar se não subires os degraus. A lógica, para mim, passa por esta “filosofia” de vida."

   3) Descreve-nos o teu percurso académico até ao momento.

 

            "O meu percurso académico, adjetivando-o, pode-se caracterizar por três factores: regularidade, seriedade e responsabilidade. E faço esta construção porquê? Porque o teu caminho académico tem que encontrar um “ponto de equilíbrio”, uma vez que é muito fácil perderes o norte seja em que sentido for. Por isso é que acho que são as três características indispensáveis e que melhor se adequam a mim.

            Regularidade. Sendo o curso de vários anos, tu, ao longo deles, vais enfrentado obstáculos quer curriculares quer extra curriculares, e então, é extremamente importante que tu consigas manter um fio condutor ao longo deles. Dando o exemplo das notas: não faz sentido no teu primeiro ano, só porque decidiste participar na praxe (por exemplo), teres uma média de 11 valores, e no segundo, decidiste aplicar-te a fundo e terminaste com 17 valores de média, e depois no terceiro ano como voltas à praxe (isto segundo a hierarquia da praxe na Universidade do Minho), voltas a vacilar na média. E então o teu percurso académico acaba por sofrer oscilações. Qual é o problema disto? Não é que haja problema em teres médias mais altas e mais baixas consoante os anos, mas eu entendo que é preferível, manter uma linha regular entre uns e outros, porque o teu percurso académico marca irremediavelmente o teu futuro profissional, e tu um dia mais tarde além do teu curriculum vitae, terás a tua personalidade avaliada, e teres o “poder” de ser regular, de, independentemente das circunstâncias, conseguires manter um alto/elevado rendimento é sempre uma mais valia.

            Seriedade. Esta é daquelas que pode parecer “cliché”, mas que é de crucial importância, não só no que toca às notas ou ao teu percurso académico curricular. Tu tens de ser uma pessoa séria, credível, e nunca te podes esquecer que a universidade é como uma montra que te expõe para o teu passo seguinte: a vida profissional. Ou seja, tu nas tuas relações com outras pessoas (colegas, amigos, professores, etc), tens que ser capaz de marcar pela confiabilidade. As pessoas têm de te olhar e respeitar, não por intimidação, mas sim, por consideração e admiração. É a seriedade que te vai permitir, entre os teus pares, seres ouvida e seres respeitada. E depois acaba por se transformar no teu cunho pessoal. Na marca que deixas naquilo que faças. Acho que é algo a que toda a gente devia aspirar seja qual for o ramo em que trabalhe/estude. E penso que não há melhor elogio que te possam fazer do que considerar-te uma pessoa séria. Alguém cuja opinião têm em conta. Respeitam. Consideram. Procuram. Não se trata de te impores às pessoas, ou então que a tua ideia impere sempre. Trata-se, sim, de que sejas considerada um exemplo a seguir. Seriedade é integridade. E integridade são valores e princípios. E a seriedade é um valor e um princípio. Concluindo, a seriedade como traço da tua personalidade, acaba por ser uma extensão de ti próprio, uma vez que fica como que “registada” em tudo aquilo que fazes.

            Responsabilidade. A vida académica é recheada de “distrações” seja de que tipo forem. Assim sendo, e assumindo que a responsabilidade é algo subsequente à seriedade. Não pode uma existir sem a outra. A maior responsabilidade que te vai ser exigida (por ti própria inclusive) é a gestão do teu tempo. E tens mesmo de fazer uma boa gestão do teu tempo, de modo a que possas experienciar e vivenciar ao máximo (se bem que o máximo é sempre relativo) a tua vida académica. Tens que saber separar as coisas: saber quando é que é para estudar, para te divertires, para não fazeres nada, etc. Essa responsabilidade é crucial no teu sucesso académico. Agora, há outro prisma da responsabilidade e que, mais uma vez, está intimamente ligado à seriedade. Tu tens de ser responsável para o bem e para o mal. E o mal neste caso é quando perante o insucesso, tu és capaz (palavra mais do que certa) de o assumires como um falhanço teu, ou seja, teres a responsabilidade de admitires que falhaste. E não há mal nenhum em falhar, atenção. Ninguém é perfeito. Agora se não formos capazes de admitir as nossas falhas, fica a sensação de irresponsabilidade e a tua seriedade é abalada.

            Esta é a trilogia de valores sobre a qual eu defino o meu percurso académico até ao momento. Se bem que é sempre uma pergunta ambígua e subjetiva, tudo se origina daquilo que tu esperas da tua vida académica."

 

   4) Se estás a estudar para ser uma profissional na área é porque tens a certeza que tens vocação e motivação para o ser. Porque é que achas que serás um bom advogado?

             "Esta é a pergunta em que tu mais te elogias e engrandeces. Basicamente, vou-me só auto elogiar. A motivação (sobre a qual já falei mais acima) está presente em tudo aquilo que fazes, desde o dia zero até ao fim do teu percurso (académico, profissional, pessoal, etc). Quanto à vocação é que já é mais discutível. Eu não sou apologista de que toda a gente tem que ter uma certa vocação para o trabalho que quer desempenhar. Ou seja, tu podes detestar aquilo que tu fazes, mas, ao mesmo tempo, seres extremamente bom ou eficiente nisso. Agora, óbvio que se calhar não retiras nenhum prazer nisso. Neste caso a vocação, ao contrario da motivação, está sempre lá, é aquilo para o qual “nasceste” para fazer. E, modéstia à parte, tenho a certeza absoluta que “nasci” para vingar neste “mundo”. No que respeita a ser Advogado, na acepção da palavra, é preciso perceber que não há uma personalidade-tipo para o ser. Ou seja, podes ter duas pessoas totalmente diferentes, opostas até, e ambas serem excelentes advogados, e, principalmente, gostarem mesmo de o serem. Agora há um conjunto de características que eu penso, modestamente, que possuo e que são “trunfos” no que respeita a ser advogado, ou melhor, um bom advogado. Sendo uma profissão de elevada exposição pública, uma vez que, forçosamente, terás de te relacionar com uma imensidade de pessoas, é necessário que tenhas um à vontade para falares publicamente, e este à vontade não é só falar, latu sensu, mas sim a capacidade de te fazeres compreender, de conseguires ser sintético e ao mesmo tempo analítico na maneira como defendes e expões os teus argumentos, a tua visão sobre as coisas. Além disso, além do à vontade de falar, precisas, ironicamente, da vontade de falar, porque tu até podes encarar a exposição com normalidade mas será que te sentes realizada ao fazê-lo? Quem me conhece sabe que eu falo “pelos cotovelos”, passo a expressão, mas mais importante, sabe que eu gosto de falar “pelos cotovelos”, ou seja, é algo intencional. Aqui também se reflete muito a minha personalidade, e, numa opinião mais pessoal, acho que a minha natureza conflituosa me ajuda nesse sentido. Isto é uma confidência: eu adoro discutir. Mas discutir no verdadeiro sentido da palavra, ou seja, esgrimir argumentos e seja por que motivo for. Sou apologista da máxima: “É a falar que a gente se entende”. Assim sendo, sinto-me sempre preparado para falar de qualquer tema (óbvio que tenho de perceber minimamente do que se está a falar) e sou incansável nisso. Não me importo nada de passar duas a três horas a discutir o “sexo das nuvens”. E no fim, mesmo que não se chegue a consenso nenhum, amigos à mesma. A minha forma de estar, nesse campo, e que penso que fará de mim um exelente advogado, é a minha predisposição inata e incansável para discutir, e sou muito agressivo nisso (não confundir com rude, mal criado ou ofensivo). Os meus amigos, de forma unânime, reconhecem que é impossível ganharem-me uma discussão simplesmente porque se cansam de discutir comigo. Dito isto, e em suma, aquilo que considero que fará de mim um bom advogado é a minha capacidade de discutir, em público, aliando a isso, uma resiliência enorme em nunca desistir ou baixar os braços - a não ser que, e é importante que o saibamos fazer, reconheça que não tenho razão, mas confesso que odeio perder uma discussão. E pronto, eu disse que esta resposta ia parecer bastante presunçosa."

 

   5) Consideras o estágio fundamental no teu curso?

             "Em relação a esta matéria eu não me queria pronunciar muito. Uma vez que ainda nem o comecei, a visão que tenho do estágio da Ordem dos Advogados é bastante genérica e não abarca, nem de longe, a completude da realidade que é ser Advogado Estagiário. Superficialmente, aquilo que posso dizer do que sei e observo, é que para qualquer profissão que queiras exercer é importante teres a formação adequada, uma vez que “ninguém nasce ensinado”, daí que considere que o estágio compreenda uma fase procedimental necessária e fundamental para o teu percurso profissional. Agora, um aparte, o estágio não tem nada a ver com o curso de Direito. É importante fazer esta distinção, porque muita gente associa o curso de Direito ao advogado, e é uma associação errada que se faz, o que conduz a muitos mal entendidos. Tu, enquanto licenciado em Direito, tens a designação de Jurista, ou seja, pessoa habilitada a laboral com matérias do foro juridico (leis, pareceres, etc), mas para exerceres advocacia é necessário a Ordem dos Advogados, e aí sim é que entra em cena o “famoso” estágio."

 

   6) Algo muito importante que nem sempre é contabilizado e por vezes é o que potencia o empurrão para o desemprego, infelizmente. Consideras ser capaz de trabalhar sob pressão?

            "O trabalhar sobre pressão, mais não é, do que seres capaz de enfrentar dificuldades que te surjam. Não podemos olhar a pressão de um emprego, como algo que se materializa em teres uma pessoa com uma arma apontada à tua cabeça a garantir que fazes bem o teu trabalho. Para mim, e falo tanto numa perspetiva de “empregado” como de “empregador”, a capacidade de trabalhar sob pressão é condição sine qua non, para seres bem sucedido. E uma pessoa que não seja capaz de o fazer, não pode culpar mais ninguém, além de si próprio, de não apostarem em si, o que, irremediavelmente, leva a pessoa ao desemprego. Eu sempre estive sujeito a pressão, quanto mais não seja, auto imposta, uma vez que só assim, só trabalhando sempre no limite, é que tu és capaz de melhorar. O conformismo e o comodismo são o teu pior inimigo, uma vez que desvirtuam a real dificuldade daquilo que fazes ou que tens que fazer e ao mesmo tempo retiram-te a capacidade de te destacares perante os teus pares. E aquilo que devemos procurar em tudo aquilo que fazemos é não ser “apenas mais um” entre muitos. Temos de querer ser o “alvo a abater”, e só o consegues se a capacidade de trabalhar sob pressão em vez de uma dificuldade for encarada como um estimulo para fazer sempre mais e melhor. Todos os dias. Obviamente que toda a gente tem o seu limite, mas os limites servem para isso mesmo, para serem ultrapassados (num sentido de superação claro está). Eu sinto-me completamente à vontade em trabalhar sob pressão, em ter que trabalhar “contra o relógio”, porque além da adrenalina que retiras daí, vais aprimorando os teus sentidos e as tuas qualidades."

 

   7) Achas que vais ter "pontos fracos" no teu currículo?

             "Vou responder a isto começando pelo fim. O mais importante é sermos capazes de transformar as nossas fraquezas em forças. Dito isto, óbvio que o meu currículo não é perfeito. Desde logo, a nível académico, podemos (ou podíamos) sempre ter acabado o curso com uma média mais elevada, no entanto, acredito que não é a média com que acabas uma licenciatura que te vai definir no mundo trabalho enquanto profissional. Um “ponto fraco” que eu sei que vai ser uma espécie de “sombra” ao longo da minha vida profissional, vai ser a minha terminante recusa em lidar com direito internacional, transnacional ou supra nacional, trocando isto por miúdos, ao contrario de muitos colegas meus que olham para o Direito não como uma unidade restringida a um ordenamento juridico (ou seja, só exercer Direito em Portugal), eu tenciono dedicar-me em exclusivo a uma carreira juridica profissional somente em Portugal. Sei que é um ponto fraco, uma vez que hoje, facilmente, se transpõem as barreiras físicas de um país, e que cada vez mais o foco coloca-se no plano internacional e não nacional. Agora, tenho os meus motivos para me querer dedicar a uma carreira exclusivamente interna, e como é óbvio, espero ser bem sucedido, no entanto, se a necessidade assim o obrigar adaptar-me-ei às realidades que se impõem. Tirando esse que é o meu maior ponto fraco, não vejo assim nada de relevante que me possa desvalorizar em relação a colegas meus."

 

   8) Quem és tu, agora, a nível profissional?

            "Neste momento, o meu grau académico caracteriza-me como sendo um (mero) Jurista (ver a definição dada mais acima). O próximo passo que quero fazer é tornar-me Advogado, e para isso terei que me inscrever na Ordem dos Advogados já no próximo mês de Setembro/Outubro. Por isso neste momento, a nível profissional, ainda não sou nada, uma vez que ainda não alcancei aquilo que almejo, poderia muito bem já exercer funções de jurista numa multiplicidade de áreas ou empresas mas não é algo que eu esteja à procura ou que me revisse nesse papel."

 

   9) Como te avalias no ramo em que vais ingressar?

             "A pergunta mais difícil de todas. Eu não consigo fazer esse juízo de prognose por dois motivos: primeiro, porque ainda não estou lá, logo seria difícil e irresponsável fazer uma avaliação do que eu vou ser num meio que me é totalmente desconhecido; segundo, porque, ultimamente, tenho vindo a considerar uma “carreira” alternativa. Que fique bem claro, desde sempre que quis ser Advogado, e mantenho esse sonho (chamemos-lhe assim), mas também não posso ignorar a conjetura da sociedade em que vivo e sob as circunstâncias sócio económicas em que a sociedade se encontra. O “ramo” está sobrelotado, grande parte dessa sobrelotação ostenta somente um “canudo” que garante, na teoria, habilitações que não correspondem à realidade prática, e como tal, também num desejo pessoal de ambição, impõe-se a pergunta: vale a pena ser só mais um? Daí que a solução no imediato passa por mais estudos, mais ferramentas que me possibilitem destacar e oferecer melhores serviços na vida profissional, daí ter ingressado, o qual ainda estou a concluir, no Mestrado, de modo a obter um grau superior de formação que me possa “abrir mais portas”. E é graças a este Mestrado (em Direito Tributário e Fiscal), e ao professor coordenador do mesmo, que tenho vindo a ponderar seguir uma carreira adjectivante à posição de Advogado. E embora faça questão de me inscrever na Ordem de Advogados e tornar-me num em pleno direito, cada vez mais perspetivo a minha vida profissional na área da consultoria (ou consultadoria) financeira e jurídica, os chamados fiscalistas. Mas como disse, é uma (forte) hipótese a considerar, sendo, ainda, a carreira como Advogado aquela que preenche o meu imaginário."

 

   10) Quais são os teus objetivos pessoais e profissionais enquanto Advogado?

             "Provavelmente não vão gostar da resposta, e vão achar que os meus motivos são supérfluos ou fúteis, de qualquer das formas vou tentar justifica-la da melhor e mais arguta forma possível. Os meus objetivos quer pessoais quer profissionais no meu oficio como Advogado, é, quase exclusivamente, ganhar dinheiro e ser bem sucedido. Não tenho motivações altruístas. Não pretendo ser, nem assumir o papel, do advogado ingénuo que quer mudar o mundo, ou quer fazer a “verdadeira” justiça. Não pretendo nada disso. Os meus objetivos são puramente particulares, e será essa dedicação, essa ambição a conseguir aquilo que desejo que fará de mim um exelente profissional, porque a única coisa que me separa do que eu quero é o trabalho que eu tenho de fazer, logo não há condicionalismos nem desculpas para não o conseguir. Se não conseguir foi porque falhei em algum lado ou alguma coisa. Assim, simples. Estou mais do que preparado para assumir o papel do Advogado do Diabo. Obviamente, que, e agora entrando numa área mais técnica, o ideal seria só trabalhar na área em que me especializei, ou seja, no âmbito do Direito Tributário e Fiscal (Impostos, taxas, tributos, coimas, execuções fiscais, etc...), mas sei que tenho de estar preparado para lidar com qualquer situação ligada ao Direito (em sentido amplo). Mas, e costumo dizer isto meio a brincar, meio a falar a sério, se me for dado a escolher, preferia sempre o lado dos “culpados”, uma vez que, pela lógica, são aqueles que estão dispostos a pagar mais pelos resultados que lhes sejam mais favoráveis."

 

   11) Gostarías de acrescentar alguma coisa ao que foi perguntado cujo o conteúdo pode interessar aos que vão ingressar no Ensino Superior, de forma a descrever o teu curso?  

             "A única coisa que posso acrescentar a todos aqueles que pretendem cursar Direito é o seguinte: só o façam se for mesmo, mesmo, mesmo aquilo que querem. Não entrem em Direito por ser a vossa segunda opção. Não entrem em Direito porque o pai ou a mãe são advogados e gostavam que vocês também fossem. E, principalmente, não entrem em Direito só porque não gostavam de mais nada e é o curso que mais “portas abre”. Porque não vão aguentar, e mesmo que aguentem não vão estar motivados e não se vão sentir realizados. O curso de Direito, pelo menos na Universidade do Minho, é dos cursos com maior taxa percentual de desistências, e isto, penso eu, alastra-se e é sintomático a todas as universidades onde se leccione Direito. É um curso macilento, intensivo, extremamente teórico e burocrático, onde a vossa maior virtude é a capacidade de resistir e de solucionar problemas.

            Eu podia estar aqui a dissertar sobre os aspetos positivos de seguir Direito, dava para um livro inteiro. Mas prefiro focar-me nos indecisos e nos contrariados, uma vez que quem quer mesmo Direito não terá dificuldades em adaptar-se a qualquer circunstância. Cursem Direito apenas e só se for esse o vosso “chamamento”, o vosso “dom”, e nunca, mas nunca como segunda opção.

            Não é à toa que o lema de Direito na Universidade do Minho é:

  • RESISTIR É VENCER!"

 

Obrigada Pedro Silva Pereira, pelo teu testemunho!